INTERVIEW | Rita Afonso, Portuguese Fashion Designer


Rita Afonso

A Rita Afonso foi uma das revelações da plataforma Sangue Novo da ModaLisboa Boundless (AW17-18) que ocorreu em Março passado. A sua primeira coleção, "Sou Jarra, mas eu grito" é jovem, divertida e actual. O que mais me chamou a atenção foi a mistura de padrões, cortes e volumes. E os acessórios também não me deixaram indiferente! Continua a ler para ficares a conhecer um pouco melhor esta promissora designer. Espero que gostes!

P.S.: Segue o trabalho da Rita no Facebook, aqui, e no Instagram, aqui


RITA Afonso was one of the revelations of ModaLisboa's New Blood plataform that showcase the work of new and promising designers, event that took place last March. Her first collection, "I'm a Jar, but I Scream" is young, fun and cool. What struck me the most was the mixture of prints, cuts and volumes. And the accessories didn't leave me indifferent either! Continue to read and get to know Rita a little bit better. I hope you enjoy it!

P.S.: Follow Rita's work on Facebook, here, and on Instagram, here.



Fala-nos um pouco sobre ti. 
Tenho 33 anos, nasci em 83. Vivi a minha infância em Felgueiras, onde tudo se lia e relia, se ouvia em repeat, se alugava quatro vezes, no videoclube. Foi muito importante crescer numa pequena cidade, pela intensidade como tudo de novo era vivido, em slow motion. Fui viver para o Porto quando era adolescente. Fiz o curso de arquitectura. Trabalhei como arquitecta em Nova Iorque. Foi importante viver em Nova Iorque, pela intensidade com que tudo era vivido, em fast motion. Depois voltei para o Porto e estudei design de moda. Hoje trabalho na área.

Porquê Design em vez de Arquitectura? 
Era uma questão de tempo. Quero dizer coisas. A moda é um veículo divertido para o fazer. Chega a todo o lado. E, todos acham simpático e dão-lhe atenção.

O que inspirou a coleção que apresentas-te na ModaLisboa "Sou Jarra, mas eu grito"? 
As revistas da minha bisavó e alguns livros que tinha acabado de ler, nomeadamente "A arte sem história" da Autoria de Filipa Lowndes Vicente; e o livro "Woman after all : sex, evolution and the end of male supremacy" do autor Melvin Konner. E, claro uma frase que nunca me saiu da cabeça que é da Clarisse "se puder falar, então eu grito".

Como foi participar na ModaLisboa? Alguma peripécia engraçada que queiras e possas partilhar? 
Foi giro, nunca me tinha ocorrido participar. No entanto, um colega desafiou-me no corredor da empresa onde trabalhamos e pensei " porque não?". Foi graças a esse encontro no corredor. É engraçado. Faltavam 2 semanas (para a preparação do portefólio).

Até agora e dentro do mundo da moda, que experiência te marcou mais e porquê? 
Ainda é muito cedo para responder a essa pergunta. Fazes-ma daqui a uns anos.

O feminismo anda nas bocas do mundo, não só nas redes sociais e em variadas plataformas online, mas também em apresentações de coleções de marcas icónicas como a Dior. Qual a rua relação com tudo isto? Consideras-te uma feminista?  
Sou feminista dos pés à cabeça, que é mais ou menos o que o meu avô diz quando se afirma republicano. Por mais comercial que esteja a ser tratado o tema do feminismo, acho positivo. O feminismo está na moda, é indiscutível. Espero que se torne um clássico!

Falando um pouco mais sobre as redes sociais, cada vez mais há a noção de que se não existes online não existes. Ser activa nas redes sociais é algo que te surge naturalmente? Achas este novo mundo uma vantagem ou uma desvantagem para um designer? 
Acho uma vantagem. Como diz a Patti Smith, nunca houve nenhum momento na história mais aliciante  para os jovens artistas, onde o seu trabalho pode ser visto, ouvido e partilhado com o mundo. Ser activa nas redes sociais é um trabalho como qualquer outro, quando se trata de criar o universo de uma marca. É mais natural, alimentar o instagram pessoal (ritaafonso83), que sou só eu a partilhar coisas com os meus amigos.

Para terminar, o que vem a seguir para a Rita Afonso, marca e designer? 
A longo prazo não sei. A curto prazo estou a pensar na próxima coleção para a moda Lisboa SS18.



Tell us a little bit about yourself.
I'm 33 years old, I was born in 83. I lived my childhood in Felgueiras, where everything was read and reread, it was heard in repeat, it was rented four times in the videoclube. It was very important to grow up in a small town, by the intensity as everything was once again lived, in slow motion. I went to live in Porto when I was a teenager. I took the architecture course. I worked as an architect in New York. It was important to live in New York, for the intensity with which everything was lived, in fast motion. Then I went back to Porto and studied fashion design. Today I work in the area.

Why Fashion Design instead of Architecture?
It was a matter of time. I want to tell things. Fashion is a fun vehicle to do it. Is everywhere. And, everyone finds it nice and gives it attention.

What inspired the collection that you show at ModaLisboa, "I'm a Jar, but I scream"?
My great-grandmother's magazines and some books I had just read, namely, "The Art without History" by Filipa Lowndes Vicente and Melvin Konner's book "Woman after all: sex, evolution and the end of male supremacy". And of course a phrase from Clarisse's that never left my head "if you can speak, then I scream."

How was it to participate in ModaLisboa? Any funny moments you would like to share?
It was cool, it had never occurred to me to participate. However, a colleague challenged me in the hall of the company where we worked and I thought "why not?". It was thanks to this meeting in the hall. It was funny and it happened two weeks before I had to present my portfolio.

So far and within the fashion world, what experience has marked you more and why?
It's still too soon to answer this question. Ask again in a couple of years.

Feminism is in the mouth of the world, not only on social networks and on various online platforms, but also in presentations of collections of iconic brands like Dior. What's your the relationship with all this? Do you consider yourself a feminist?
I'm a feminist from head to toe, which is more or less what my grandfather says when he says his a Republican. However, despite the (commercial) way the issue of feminism is being treated, I think it's positive. Feminism is fashionable, it's indisputable. I hope it becomes a classic!

Speaking a little more about social networks, the notion that if you don't exist online you don't exist at all is increasing. Is being active in social networks something that comes naturally to you? Do you find this new world an advantage or a disadvantage for a designer?
I think it's an advantage. As Patti Smith says, "there has never been a moment in history that is more appealing to young artists, where their work can be seen, heard and shared with the world". Being active in social networks is a job just like any other when it comes to creating the universe of a brand. It's more natural to feed my personal instagram (ritaafonso83), which is just me sharing things with my friends than my professional one.

Finally, what comes next for Rita Afonso, brand and designer?
I don't know in the long run. In the short term I'm thinking of my next collection for ModaLisboa SS18.



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